Ano passado eu tentei me comprometer a escrever mais, e fui razoavelmente bem até a metade do ano. Escolhi o Substack como plataforma, e gostei da idéia de como ele conectava quem escrevia a quem lia os textos.
Mas aí, veio a merdificação.
Métricas, sempre elas
O Substack é uma plataforma onde alguns autores liberam seus textos sem cobrar nada por isso, enquanto outros cobram um certo valor para textos mais importantes. Daí, o que passa a ser relevante para quem escreve?
- Número de views
- Número de menções
- Número de assinantes
- Número de assinantes pagos
E até aí tudo bem, tudo normal. Tem muito conteúdo bom por lá que vale o dinheiro cobrado, e muitas pessoas competentes o bastante para conseguirem viver desse modelo.
O problema não são todos os autores, mas sim o que a plataforma faz para tentar tornar essas métricas atraentes o suficiente para manter os autores ali e atrair novos escritores. Com o tempo, o substack adicionou:
- Uma espécie de Twitter
- Popups pedindo para o leitor assinar a newsletter o tempo todo
- Opção padrão de assinar TODOS os substacks que um autor recomenda ao assinar a sua newsletter
Ler um post no substack se tornou um exercício de paciência e eu comecei a ficar chateado de fazer quem dedica um pouco do seu tempo para ler o que eu escrevi passar por isso. Aí minha vontade de escrever ali foi diminuindo.
Onde eu tracei a linha
Como se nada disso bastasse, as métricas fizeram com que newsletter completamente desprezíveis se tornassem interessantes para o negócio porque geram renda para a empresa.
E isso inclui newsletters nazistas.
Aí sair do substack deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade para mim.
Pra onde eu fui e pra onde você pode ir?
Se enviar newsletters é super importante para você, o Ghost é a melhor opção. É open-source, fácil de configurar e é bem leve. Muitas pessoas têm feito esta transição, e em termos de funcionalidades é quem mais se assemelha ao substack.
Se você quer só escrever e imagens não são muito importantes para você, dá pra usar o WriteFreely. Como foi feito em Go, é bastante leve (no teste que fiz no meu servidor ele consumia apenas cerca de 50Mb de memoria RAM!). A experiência de escrever é agradável e direto ao ponto. Curiosamente, o WriteFreely foi desenvolvido como alternativa ao Medium porque seu fundador se cansou da merdificação do Medium.
Se você quiser algo gratuito, com alto nível de personalização e tendo total propriedade sobre os eu conteúdo, o melhor a se fazer é usar um gerador de blogs estáticos como o Jekyll, o Hugo ou o Astro. Esse blog foi feito com o Jekyll, que é feito em Ruby e foi criado a mais tempo, e acabei seguindo por esse caminho porque eu já tinha adquirido um tema que se encaixava com o que eu tinha imaginado para meu site. O Hugo é uma opção mais moderna, e provavelmente a melhor escolha aqui, principalmente se você pretende escrever em mais de um idioma.
Outra vantagem dos geradores de sites estáticos é que você pode hospedá-los gratuitamente no Github pages, por exemplo. Nem precisa pagar um servidor.
Se você quer algo para ler, sugiro fortemente usar um RSS Reader, que nada mais é do que um aplicativo onde você adiciona os blogs que gosta de ler e ele te avisa sobre novos posts sem poluir a sua caixa de email. O RSS é ainda uma forma de leitura mais consciente: você precisa escolher aquilo que quer ler e acompanhar, e nenhum algoritmo tenta te empurrar nenhuma outra coisa.
Atualmente, os softwares/serviços que uso são:
- Scaleway, para hospedar meu site.
- Typora, para escrever os posts.
- Plausible, self-hosted. Para coletar métricas respeitando a sua privacidade (nada de Google Analytics aqui).
- Procreate, para criar as imagens que uso no blog
- Vivaldi, navegador que também tem um RSS reader
Mas… e a newsletter?
Bom, por enquanto ela não existe, mas pode ser que no futuro eu crie uma. Agradeço de coração a todo mundo que assinou a newsletter no substack, e espero que vocês sigam acompanhando o que eu escrever por aqui.